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Vasco da Gama

gama

Filho de Estevão da Gama, alcaide-mor da vila de Sines, e de Isabel de Sodré. Nasceu, nesta vila, mas pouco se sabe da vida que levou na juventude. 

Alcançou lugar de destaque na História por ter capitaneado a armada da primeira viagem marítima do Ocidente até à Índia, acontecimento que alterou o rumo da História de Portugal e do Mundo.

Homem de armas e do mar?

 

Vasco da Gama portrait

 

A sua experiência como homem de armas e do mar era modesta, até então. Segundo os cronistas, participou algumas vezes nas armadas que defendiam o litoral português dos ataques dos corsários e piratas, navegando pelo litoral marroquino e ilhas atlânticas. O facto de ter sido escolhido por D. Manuel para capitão-mor da armada, que partiu para a Índia em 1497, tem causado alguma perplexidade, tendo em conta a sua experiência. Alguns historiadores afirmam que a escolha pode ter sido influenciada por ter convivido com D. Manuel na sua infância; outros defendem que terá sido escolhido por ser um homem de armas capaz de manter disciplinada uma grande tripulação numa viagem tão longa.

Recompensas

A história demonstrou que Vasco da Gama soube conduzir a viagem com determinação, acompanhado por pilotos mais experientes. O sucesso desta expedição, fundamental para a política de expansão portuguesa, trouxe-lhe grandes benefícios pessoais. No regresso da viagem do descobrimento do caminho marítimo para a Índia, realizaram-se grandes festas e recebeu muitas recompensas. O rei atribuiu-lhe várias tenças e concedeu-lhe o privilégio de realizar negócios na Índia sem pagar impostos. Recebeu o título de conde da Vidigueira e as vilas de Sines, da Vidigueira e de Frades. Passou a ter o direito, e os seus descendentes, ao uso de Dom, antes do seu nome. Para além do título de Almirante da Índia, então criado, foi também Vice-Rei, em 1524. Casou com Dona Catarina de Ataíde e do enlace nasceram sete filhos.

escudo de vasco da gama

Mais duas viagens à Índia (1502 e 1524)

Em 1502 volta lá com uma armada de 20 navios, submetendo Quíloa e fazendo alianças com os reis de Cochim e Cananor, com o que deixa assegurado o domínio português no Oceano Índico. Regressa carregado de especiarias em 1504.

Em 1524 D. João III nomeia-o vice-rei da Índia, onde chega em setembro, para lutar contra os abusos existentes que punham em causa a presença portuguesa na região. Vasco da Gama começa a atuar rigidamente e consegue impor a ordem.

Honras

Morreu no decurso desta última viagem, em Cochim, no final do mês de Dezembro de 1524. Os restos mortais foram transportados para a igreja da Vidigueira e mais tarde, no século XIX, procedeu-se à trasladação das ossadas atribuídas a Vasco da Gama para o Mosteiro dos Jerónimos. Devido ao costume antigo de enterrar vários corpos na mesma campa, dentro das igrejas, não se sabe, ao certo, se os ossos que hoje repousam na igreja dos Jerónimos são os do Almirante das Índias. Mas o que conta é a intenção de homenagear a memória deste grande homem, erguendo-lhe um monumento funerário  naquele local, onde repousam também os restos mortais de Luís de Camões.

 

Ver imagem de rua...

 

Ver também...

 

 


 

O caminho das Índias

Viagem de Vasco da Gama ao Oceano Índico (1497-1499)

grandes imperios da historia

 

IDA VOLTA
(1) 8/7/1497 -- Partida com três navios e uma embarcação de mantimentos (1) Ano-Novo de 1499 -- Dominado motim a bordo
(2) Agosto/1497 -- A frota passa perto de Trindade, na costa brasileira (2) 16/1/1499 -- Com a tripulação dizimada pelo escorbuto, Vasco abandona e queima um dos navios
(3) 25/11/1497 -- Navio de mantimentos é desmontado (3) 25/4/1499 -- A frota separa-se. Vasco da Gama fica em Cabo Verde para cuidar do irmão doente
(4) 2/3/1498 -- Bombardeio do porto de Moçambique e captura de dois navios mercantes (4) 8/9/1499 -- Vasco da Gama chega a Lisboa a bordo de uma caravela alugada
(5) 29/3/1498 -- Assalto a navio árabe carregado de ouro e mantimentos  
(6) 22/4/1498 -- Fidalgo árabe sequestrado é trocado por piloto capaz de guiar os portugueses até a Índia  
(7) 21/5/1498 -- O primeiro português -- um degredado -- desembarca em Calicute, na Índia  

 

Vasco da Gama ia na nau S. Gabriel, com o piloto Pêro de Alenquer, o escrivão Diogo Dias e o mestre Gonçalo Álvares; Paulo da Gama na nau S. Rafael, com o piloto João de Coimbra, o escrivão João de Sá e Álvaro Velho (possível autor do diário de bordo) ; Nicolau Coelho na Bérrio, com o piloto Pêro Escobar, e o escrivão Álvaro Braga; e na caravela (comprada pelo rei ao mercador de Lisboa Aires Correia ) ia seu comandante Gonçalo Nunes. Vinha também o primeiro sacerdote português que entra na Índia : Frei Pedro da Covilhã, companheiro e confessor de Vasco da Gama nesta viagem, que será martirizado em 7 de Julho de 1498 pelos gentios da Índia.

 

armada

A armada de cerca 160 homens, marinheiros e soldados, parte de Lisboa a 8 de Julho de 1497. Deixa a ilha de Cabo Verde a 3 de Agosto, chega à Baía de Santa Helena (África do Sul) a 7 de Novembro. A 22 de Novembro, dobra o cabo da Boa Esperança. Chega á Angra de S. Brás a 25, passa à vista de Natal em 25 de Dezembro. A 10 de Janeiro de 1498 chega à Terra da Boa Gente, onde permanece cinco dias. Atinge o rio dos Bons Sinais (Zambeze) a 25, alcança Moçambique a 2 de Março, Mombaça a 7 de Abril, Melinde a 14 e, aí, recebe um piloto guzarate, que o conduz a salvo até Calecut, onde chega a 20 de Maio, após 312 dias de viagem.

 

A armada regressa em 30 de Agosto. Em 15 de Setembro chega às ilhas de Santa Maria, e em 19 à ilha Angediva, onde Vasco da Gama repara as suas naus. Aí embarca um judeu, conhecido por "Gaspar da Índias". Em 5 de Outubro inicia o regresso a Portugal. A 2 de Janeiro de 1499, a armada avista a costa da África ; a 7, chega a Melinde e a 12, a Mombaça. A nau S. Rafael, incapaz de navegar tem de ser queimada. A 20 de Março a armada dobra o Cabo da Boa Esperança. As naus S. Gabriel e Bérrio chegam às ilhas de Cabo verde, Paulo da Gama está doente, e Vasco da Gama receando sua morte no mar, faz aparelhar uma caravela para atingir os Açores o mais rapidamente possivel. A caravela atinge a Ilha Terceira, e Paulo da Gama morre na cidade de Angra, onde é sepultado. Nicolau Coelho é encarregado de levar ao rei a boa nova da descoberta. Chega a Lisboa a 9 de Julho. Vasco da Gama chega a Lisboa em 29 de Agosto. Nessa expedição morreram cerca de 100 homens, vítimas de acidentes e de doença.

 

Ver também...

Vasco da Gama: o homem, a viagem, a época - Centro Virtual Camões

A viagem de Vasco da Gama - Nónio

 


A vida no mar

nau

clica na foto

Apesar da magnitude do feito português, o quotidiano dessas viagens foi acompanhado por inúmeros problemas, incertezas e dificuldades (os mais sérios estavam relacionados com as doenças e a má alimentação), podemos mesmo tratá-las como um feito de martírio e provação:

  • A nau e a caravela, apesar de mais velozes e resistentes, não possuíam um casco encouraçado, eram alvos fáceis de rochedos e da própria força do mar e dos ventos.

  • A própria natureza da navegação da época, fazia com que esses navios estivessem sempre sujeitos às diretrizes dos ventos e das correntes marítimas, uma tempestade quanto uma calmaria poderiam retardar a seqüência da viagem.

  • A escassez de tripulantes adequados acabava por tornar o sistema de recrutamento alternativo um dos fatores corroboradores para os problemas com a disciplina e da dispersão de doenças a bordo. Pois na maioria das vezes, esses tripulantes que ingressavam na vida marítima provinham dos mais baixos estratos da sociedade portuguesa. Alguns deles já entravam doentes e subnutridos nas embarcações e outros partiam como degredados ou conseguiam abonar seu débito com a justiça caso ingressassem neste tipo de vida.

  • No caso da alimentação, não podemos esquecer que essas embarcações contavam com excesso de tripulação. Uma vez que eram necessários muitos homens para dar conta, no braço, do manejo das velas. Mas também, não podemos excluir a hipótese do caráter mercantil com que essas navegações se desenvolveram. Para isso, deveriam contar com um excelente espaço interno a fim de comportar especiarias oriundas do comércio e da extracção colonial. Por isso, reduziam ao máximo o seu estoque de alimentos. A ração diária era péssima. Apenas alguns biscoitos, raramente peixes e carnes salgados, um pouco de vinho e/ ou de rum e uma água de péssima qualidade faziam parte da dieta desses marinheiros. A desidratação, a cólera, a pneumonia, o escorbuto e a infecção por gangrena, em casos de acidentes, eram as principais causas das mortes de grande parte dos tripulantes.

  • Os atos do corso e da pirataria eram encarados como uma dificuldade constante que acompanhou toda a história marítima colonial portuguesa. Para se garantir a segurança das naus portuguesas rumo a Índia foi necessário estabelecer um sistema de defesa terrestre em combinação com o poder naval. Por isso, a conquista e a criação de praças e feitorias, no continente africano tais como Ceuta, Cabo Verde, São Jorge da Mina (século XV), Moçambique (século XVI) e no oriente tais como Calecute e Cochim (final séc. XV) e Goa, Malaca, Ormuz e Ceilão (década 1510), contribuíram para que os portugueses firmassem pontos no continente para abastecer seus navios, servir de abrigo das tempestades e estabelecer comércio com o gentio.

A Bordo de um navio temos...

Capitão – Este detinha acomodações próprias, possuía larga autonomia no comando e aspectos disciplinares, porém estava sujeito à autoridade maior da armada.

Capitão-mor  – Este comandava a caravela, nau, galeão.

Piloto – Este ocupava a hierarquia entre o homem do mar e encarregava-se da orientação da navegação.

Sota Piloto - Este tomava a responsabilidade da navegação.

Mestre – Tomava a seu cargo a governação de marinheiros e grumetes, distribuía ainda as tarefas.

Contramestre – Ajudava o Mestre a comandar tudo o que se passava a bordo.

Guardião – Disciplinava e distribuía o serviço dos Grumetes.

Dois Trinqueiros- Reparavam o poleame e as velas dos navios.

Marinheiros -  Asseguravam o serviço inerente à navegação e manobras do navio.

Grumetes – Representavam os jovens e adolescentes. A eles eram atribuídos os trabalhos mais pesados, sofrendo as piores condições de vida a bordo.

Mestre Bombardeiro ou Condestável – Comandava os bombardeiros, a eles era incumbida a função de fabricar a pólvora, respondiam apenas perante o capitão.

Bombardeiros – Este na  ausência do cirurgião, ministrava  os cuidados de saúde.

Capelão – Velava pela espiritualidade dos tripulantes.

Escrivão – Assegurava a redacção do diário a bordo, registo de ocorrências, inventários, escrituras e testamentos, rol de cargos aplicação imposta na compra e venda de bens.

Pajens - do mesmo escalão etário dos grumetes, porem com tratamento e funções diferentes estas próximas de mandaretes.

Meirinho ou Alcaide -

Despenseiros – controlava os mantimentos e rações dos tripulantes.

Artífices de cada ofício

Cirurgião – Responsável pelas caixas de botica.

Barbeiros cirurgiões - Homens com pouca cultura mas audaciosos e hábeis. Faziam a barba, tratavam das cabeleiras, sangravam, tratavam feridas e arrancavam dentes.

Carpinteiros – Restauravam a armação do navio.

Calafates, Tanoeiros – Fabricavam as pipas.

Principais alimentos

Exemplo de uma lista de alimentos: o biscoito, enchidos de toda a espécie, bolacha, vinho tinto, queijo, bacalhau, azeite, vinagre, sal, arroz, grão-de-bico, presunto, carnes e peixes, conservas – frutos secos (damasco, figos, ameixas, amêndoas, avelãs, e nozes); ervas aromáticas: alho, cebola, picante, louro, mostarda orégãos, entre outros.

Para conservar alguns destes alimentos mantinha-se as barricas cheias de sal.

Um dos principais problemas da alimentação a bordo, residia na qualidade da água, pois a falta de escalas na viagem fazia com que os navios usassem em todo o percurso a água do primeiro abastecimento em Lisboa, ou então quando se faziam escalas abasteciam-se os navios.

A partir do séc. XVIII demonstrou-se que a ração alimentar com frutos cítricos (laranja e limões) evitavam o escorbuto, no séc XIX foi determinado que a ingestão de arroz integral (em substituição do arroz polido) prevenia a ocorrência de beribéri.

Os víveres são embarcados consoante o planejamento da viagem, rota, tipo de embarcação. As caravelas, naus e galeões transportavam também animais vivos, tais como: galinha, coelho, carneiros, entre outros.

 


Cronologia da Primeira viagem marítima para a Índia (Baseado no relato de Álvaro Velho)

 

 

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