Notas Introdutórias
Esta publicação multimedia é mais um esforço, a que o Portal Álvaro Velho, a Biblioteca Escolar e o Departamento de Ciências Humanas e Sociais se associam, para compreender e divulgar o texto do "Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama", cuja autoria é atribuída ao nosso patrono, Álvaro Velho e por ser um documento ímpar da História de Portugal (não se conhece qualquer outro depoimento de um participante na expedição que descobriu o caminho marítimo para a Índia entre 1497 e 1498).
Este esforço vai incidir principalmente no relato da viagem, na publicação das etapas da mesma (que têm início no dia da partida, 8 de Julho de 1497, do Restelo e terminam no dia 25 de Abril de 1499 no rio Grande, Guiné), onde estão registados os principais acontecimentos ocorridos em, quase, dois anos de navegação, possibilitando conhecer o sucedido no decurso da viagem.
Nesta abordagem multimedia, os erros/ as falhas são assinaladas, corrigidas ou complementadas por elementos que se afiguraram e consideraram ser os mais adequados e acessíveis. Assim, neste tipo de abordagem, procurou-se, a par da divulgação do texto do relato, dar a conhecer alguns dos aspetos relacionados com a viagem, pouco conhecidos e por isso se admite possam despertar mais interesse na leitura do relato.
Enquadramento Temático
O manuscrito do "Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, 1497-1499" é a única cópia conhecida de um relato que acredita-se ter sido escrito a bordo durante a primeira viagem marítima de Vasco da Gama à Índia. O texto original, que foi perdido, é atribuído a Álvaro Velho, que acompanhou Vasco da Gama à Índia em 1497-1499, mas que não voltou para Portugal com a expedição, permanecendo por oito anos na Gâmbia e Guiné.
O manuscrito é anónimo e sem data, porém a análise paleográfica atribui a sua datação à primeira metade do século XVI.
O documento descreve a viagem para a Índia e o contato com diferentes povos nas costas da África e da Índia. Ele fala sobre doenças, plantas e animais, reféns, títulos e profissões, armas de guerra, comida, pedras preciosas, desafios de navegação e vários outros tópicos.
Esta viagem a nível mundial provocou a reorganização das rotas comerciais, afetando as Rotas do Levante, deslocando o centro da economia de Veneza para Lisboa. As rotas e os fundos financeiros mudaram-se do Adriático e do Mediterrâneo para o Atlântico, em consequência da descoberta do caminho marítimo para a Índia. O espaço oceânico foi alargado, a visão ptolemaica do mundo foi destronada, e os Oceanos Atlântico e Índico ligados por via marítima e assim se explica a importância histórica desta viagem.
A viagem de Vasco da Gama abre a Carreira da Índia, ou Rota do Cabo, isto é, a ligação marítima regular entre o Ocidente e o Oriente, permitindo assim estabelecer importantes trocas comerciais, alargar e consolidar o império português, difundir a língua e cultura portuguesa e transmitir os valores e ideais da religião cristã.
Além de ser um dos grandes atos da navegação europeia, o feito lançou as bases para o Império Português, que duraria por séculos, e estabeleceu novos contatos entre a Europa e as civilizações da Ásia, fixando um marco no início do processo que mais tarde veio a ser chamado de “globalização”.
É o horizonte informativo dos Descobrimentos que revela à Europa a verdade do continente africano e dos litorais do Oriente e da América do Sul, bem como as verdadeiras formas de ser dos africanos, dos asiáticos e dos ameríndios.
Os Descobrimentos constituem, na ordem do mundo, uma revolução, que se manifesta nas mais variadas áreas, com consequências que fazem parte do património universal.
O Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia entrou para o Registo da Memória do Mundo da UNESCO em 2013.

